Fotografia: Marina Silva/CORREIO

 

Cavalo Marinho I

Construído para fazer a travessia das pessoas
Com o estrondo da onda
O povo corria em massa
Rompendo a dificuldade
De poeira e de fumaça
Mais de 50 ambulâncias
Muito carro oficial
Pra conduzir os feridos
Põe pra qualquer hospital

De vocês não quero o último suspiro
O susto que o antecede
O devaneio após o lanche comprado a bordo
Que aos poucos se desvanece num cochilo
A conversa casual com o colega ao lado
A acomodação no assento
A entrada em fila na embarcação
O caminho da lancha
A saída de casa
A olhadinha no espelho
A ida rápida ao banheiro
A arrumação da mala ou mochila
O descanso na cama confortável

De vocês apenas quero
A última coisa que passou pela mente
A última das últimas
Pra com ela tecer o sudário
Que faça lembrar a vida depois de tudo
Na escuridão sem movimento e sem ruído
Do apagão final

Sei. O que eu quero é demais
Para as mãos que buscam o mistério extremo
A música nas alturas
A poesia nos braços de Deus

Nenhum consolo desfaz o destino.

Autor: VAGNER FERREIRA – 1ª série Turma B (Colégio Salesiano do Salvador)

*Respeitada a licença poética do autor.